Transformando a saúde: cuidado centrado nos pacientes

Assim como a educação (ver post anterior), o setor de saúde também passará por grandes mudanças decorrentes de uma visão centrada nos clientes. Com uma maior disponibilidade de informações e o uso de tecnologias em favor dos pacientes, será possível vermos uma verdadeira transformação da medicina nos próximos anos. E a chave para tal passa por reconhecermos que nós, pacientes, temos o papel mais importante na manutenção de nossa saúde.

O modelo tradicional de saúde tem sido bastante questionado por apresentar uma visão centrada nos hospitais e médicos. Muitos hospitais e centros médicos são fragmentados, com especialistas que não compartilham informações de maneira eficaz. Cada médico detém o conhecimento sobre o histórico de “seus pacientes” e toma grande parte das decisões de tratamento com base em sua experiência particular. A necessidade de múltiplos exames e consultas faz qualquer indivíduo passar por inúmeros agendamentos e filas, numa espera infindável por um diagnóstico completo. Nesse contexto, controle e poder estão centralizados nos prestadores do serviço, e aos pacientes resta aceitar o que lhes é prescrito.

Mas tudo isso está mudando, e em grande parte porque hoje somos conectados e informados. Nos EUA, por exemplo, pesquisas mostram que mais da metade da população opta por pesquisar seus sintomas online antes de falar com um médico. Muitos pacientes buscam acesso a outras opiniões, por diversos canais digitais, para validar ou questionar um diagnóstico recebido. E querem também gerenciar suas informações de saúde online. Esse acesso facilitado à informação permite que cada vez mais os pacientes possam participar de maneira proativa de suas decisões de tratamento.

Diversos institutos e centros de pesquisa médica apontam para a tendência do cuidado centrado no paciente, em contraposição à medicina tradicional. A tabela abaixo resume algumas das características de ambos os modelos:

Figura 1 – Saúde tradicional vs saúde centrada no paciente

A transformação na saúde passa pela otimização da experiência do paciente ao longo de toda sua jornada. Isso requer um atendimento integrado, baseado em equipes multidisciplinares que atuem de forma colaborativa para cuidar de cada paciente de forma individualizada. Alguns hospitais no Brasil já atentaram para esse modelo, ao implementar linhas de cuidado personalizadas para o tratamento de cada tipo de paciente.

O cuidado centrado no paciente também permitirá uma atuação mais proativa e focada em manter pacientes ativos e saudáveis. Isso significará gerenciar a saúde do paciente, ao invés de tratar suas doenças. Tecnologias como a das pulseiras Fitbit e Nike já suportam isso, ao demonstrar para os indivíduos suas atividades físicas diárias e estimular que sejam mais ativos. Em breve informações como pressão sanguínea, batimentos cardíacos, volume respiratório, dentre outras, estarão também facilmente acessíveis. E o uso dessas informações envolverá não apenas médicos, mas também outros atores como nutricionistas e profissionais de educação física, todos trabalhando de forma colaborativa em favor da saúde dos pacientes.

É fácil perceber que a abordagem de cuidado centrado no paciente permitirá também uma enorme redução de custos, pois um tratamento preventivo é infinitamente mais barato que o reativo. Isso demandará, no entanto, alterações profundas no sistema de saúde tradicional, impactando inclusive a lógica de remuneração de médicos e planos de saúde. Se hoje os profissionais são essencialmente remunerados pelo volume de consultas e procedimentos que realizam, precisarão ser recompensados pela qualidade da saúde de seus pacientes.

Os próprios pacientes precisarão estar preparados para entender essa mudança de filosofia e suas implicações. Certo é, no entanto, que a transformação da saúde vem para nos ajudar e reforçar a consciência de que somos protagonistas de todos os aspectos de nossas vidas.

© Leandro Jesus, 21/10/14

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