Educação do século 21: aprendizagem centrada no estudante

A educação é um exemplo de setor no qual veremos, ao longo dos próximos anos, profundas transformações decorrentes de uma visão ‘de fora para dentro’. E elas vão muito além de discussões sobre o uso ou não de tecnologias de apoio ao ensino. Envolvem novas formas de aprendizagem focadas nas características individuais dos estudantes, em contraposição às formas tradicionais de ensino.

Não há como negar que o modelo convencional de educação é centrado nas instituições de ensino. Em escolas ou universidades típicas, professores e diretores detêm o conhecimento e poder. São eles que decidem o que e como os alunos irão aprender. Estes, por sua vez, assumem um papel passivo, sem muitas escolhas: cumprem horários de entrada e saída, assistem a aulas obrigatórias e passam por exames para serem aprovados. Currículos e avaliações comuns fazem com que todos sejam educados e formados de maneira padronizada.

Disciplina, controle, padronização, centralização do poder: podemos comparar as escolas do século 20 com fábricas. Através de linhas de produção pré-definidas (séries escolares), professores ‘empurram’ o conhecimento para todos. Alunos que não se adaptam aos critérios de qualidade são ‘descartados’ da linha de produção (reprovados). Uma visão que desumaniza e favorece a competição entre estudantes.

Quantas vezes você já se perguntou se não poderia aprender de formas distintas das convencionais? Se realmente precisava estudar todos os assuntos que lhe foram impostos na escola ou universidade? O ensino do século 21 passa a ser cada vez mais centrado no estudante, e não nas instituições. Estes assumem o protagonismo de sua própria aprendizagem, que não está mais confinada às salas de aula. Isso é possível uma vez que o conhecimento não está mais restrito a professores ou livros – pelo contrário, está disponível por diversos meios e a qualquer momento. Nesse contexto, professores passam a ser orientadores dos alunos em sua busca particular por informação e conhecimento, em seu próprio ritmo e em função de seus próprios interesses.

Figura 1 (Fonte: Simonson et al, 2006)

Joichi Ito, diretor do MIT Media Lab, afirma que crianças nascem com grande capacidade de aprendizagem e as instituições de ensino tradicionais passam o resto de suas vidas destruindo isso. Em suas palavras: “Educação é o que outras pessoas fazem com você. Aprendizagem é aquilo que você causa a si mesmo”. Para um aprendizagem mais eficaz, Ito descreve quatro fatores fundamentais, que chama de 4 P´s da aprendizagem:

  • Projetos (Projects): aprendemos melhor quando desempenhamos ações concretas, portanto a aprendizagem deve ir além das salas de aula e estimular atividades práticas;
  • Parceiros (Peers): gostamos de ensinar uns aos outros, e a interação com pessoas de diferentes idades favorece a aprendizagem. Isso vai de encontro a dividir alunos por faixas etárias;
  • Paixão (Passion): a paixão traz a energia necessária para aprendermos mais. Na educação tradicional, não somos movidos pela paixão, mas sim pelo medo (medo de notas baixas, medo de ser reprovado);
  • Brincadeiras (Play): por fim, aprendemos melhor enquanto jogamos e nos divertimos. Jogos ajudam a engajar e despertar a curiosidade necessária para a busca de novos conhecimentos.

Abordagens pedagógicas alternativas que entendem as necessidades particulares e estimulam a formação diferenciada de cada estudante começam a se expandir. Isso promoverá um verdadeiro repensar do que é a instituição escola. Não há dúvidas de que é uma tendência que vem para transformar o setor de educação e que terá impacto direto em cada um de nós (estudantes em permanente aprendizagem) e nas próximas gerações.

© Leandro Jesus, 30/09/14

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